sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Banco Master. Mais um caso de Boardwashing.


O Banco Central decretou liquidação extrajudicial. R$ 62 bilhões em depósitos. R$ 12 bilhões em fraudes. CEO preso tentando fugir para Malta.


Mas o que realmente merece reflexão é a estrutura de governança que existia ali.


Mas quem "supervisionava" o Banco Master?


Estrutura Interna:

CEO: Daniel Vorcaro

Acionista controlador: Daniel Vorcaro

Futuro presidente do conselho (na venda ao BRB): Daniel Vorcaro

Conselheiros independentes identificados: ZERO

Controladores no board: 3 sócios

Ex-administradores listados: 5 executivos

Separação real entre propriedade e gestão: nenhuma.


Comitê Consultivo Estratégico (a "blindagem de prestígio"):

- Ricardo Lewandowski (ex-ministro do STF)

- Gustavo Loyola (ex-presidente do Banco Central)

- Henrique Meirelles (ex-presidente do Banco Central)

- Guido Mantega (ex-ministro da Fazenda)

- Geraldo Magela (ex-técnico do BC)


Consultores e Conexões:

- Michel Temer (ex-presidente da República) - contratado para "abrir portas"

- Escritório Barci de Moraes (família de ministro do STF Alexandre de Moraes) - representação jurídica


Enquanto isso, R$ 12 bilhões em carteiras de crédito falsas eram emitidas. CDBs pagavam 140% do CDI (40% acima do mercado). O banco tomava R$ 4 bilhões emprestados do próprio Fundo Garantidor de Crédito (FGC) como crédito emergencial, renovará duas vezes.


E ninguém no "comitê estratégico" perguntou nada.


Agora vem a parte que incomoda:


Você contrata ex-presidentes do Banco Central.

Você contrata ex-ministros do STF.

Você contrata ex-presidentes da República.

Você patrocina eventos luxuosos em Londres com ministros.


E mesmo assim ninguém vê.

Ou ninguém quer ver.

Ou todos sabem exatamente o que está acontecendo.


Quantas empresas que você conhece têm exatamente essa estrutura onde o CEO é o dono, o Conselho é composto por sócios e executivos da casa, o “Comitê estratégico" está “recheado” de ex-autoridades que dão prestígio mas não questionam. 


Uma “Governança corporativa" que existe só no PowerPoint e no Relatório Anual.


Boardwashing pode não ser exceção no Brasil. Pode ser epidemia. Estou sendo conservador nas sentenças anteriores porque esse deve ser o cenário.


Empresas criam estruturas de governança para parecer sérias, não para funcionar. Contratam "notáveis" para cumprir formalidade, não para questionar. 


O Master não inventou isso. Ele apenas foi pego.


A diferença entre um conselho real e um conselho decorativo não está no currículo dos conselheiros ou na quantidade de ex-autoridades no comitê.


Está em três perguntas que ninguém quer fazer:


1) Quem realmente toma as decisões nesta empresa?


2) Existe alguém com independência para dizer "não" ao controlador?


3) Este conselho supervisiona ou apenas homologa?


Master tinha conselho, comitê estratégico, ex-ministros, ex-presidentes do BC, ex-presidente da República.


O problema é que era teatro.


E se você olhar ao redor, vai perceber que não está sozinho no palco.


Isso tem tudo a ver com gestão, governaça e conselhos.

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