O Banco Central decretou liquidação extrajudicial. R$ 62 bilhões em depósitos. R$ 12 bilhões em fraudes. CEO preso tentando fugir para Malta.
Mas o que realmente merece reflexão é a estrutura de governança que existia ali.
Mas quem "supervisionava" o Banco Master?
Estrutura Interna:
CEO: Daniel Vorcaro
Acionista controlador: Daniel Vorcaro
Futuro presidente do conselho (na venda ao BRB): Daniel Vorcaro
Conselheiros independentes identificados: ZERO
Controladores no board: 3 sócios
Ex-administradores listados: 5 executivos
Separação real entre propriedade e gestão: nenhuma.
Comitê Consultivo Estratégico (a "blindagem de prestígio"):
- Ricardo Lewandowski (ex-ministro do STF)
- Gustavo Loyola (ex-presidente do Banco Central)
- Henrique Meirelles (ex-presidente do Banco Central)
- Guido Mantega (ex-ministro da Fazenda)
- Geraldo Magela (ex-técnico do BC)
Consultores e Conexões:
- Michel Temer (ex-presidente da República) - contratado para "abrir portas"
- Escritório Barci de Moraes (família de ministro do STF Alexandre de Moraes) - representação jurídica
Enquanto isso, R$ 12 bilhões em carteiras de crédito falsas eram emitidas. CDBs pagavam 140% do CDI (40% acima do mercado). O banco tomava R$ 4 bilhões emprestados do próprio Fundo Garantidor de Crédito (FGC) como crédito emergencial, renovará duas vezes.
E ninguém no "comitê estratégico" perguntou nada.
Agora vem a parte que incomoda:
Você contrata ex-presidentes do Banco Central.
Você contrata ex-ministros do STF.
Você contrata ex-presidentes da República.
Você patrocina eventos luxuosos em Londres com ministros.
E mesmo assim ninguém vê.
Ou ninguém quer ver.
Ou todos sabem exatamente o que está acontecendo.
Quantas empresas que você conhece têm exatamente essa estrutura onde o CEO é o dono, o Conselho é composto por sócios e executivos da casa, o “Comitê estratégico" está “recheado” de ex-autoridades que dão prestígio mas não questionam.
Uma “Governança corporativa" que existe só no PowerPoint e no Relatório Anual.
Boardwashing pode não ser exceção no Brasil. Pode ser epidemia. Estou sendo conservador nas sentenças anteriores porque esse deve ser o cenário.
Empresas criam estruturas de governança para parecer sérias, não para funcionar. Contratam "notáveis" para cumprir formalidade, não para questionar.
O Master não inventou isso. Ele apenas foi pego.
A diferença entre um conselho real e um conselho decorativo não está no currículo dos conselheiros ou na quantidade de ex-autoridades no comitê.
Está em três perguntas que ninguém quer fazer:
1) Quem realmente toma as decisões nesta empresa?
2) Existe alguém com independência para dizer "não" ao controlador?
3) Este conselho supervisiona ou apenas homologa?
Master tinha conselho, comitê estratégico, ex-ministros, ex-presidentes do BC, ex-presidente da República.
O problema é que era teatro.
E se você olhar ao redor, vai perceber que não está sozinho no palco.
Isso tem tudo a ver com gestão, governaça e conselhos.

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