
Duas notas inocentes na coluna Painel da Folha, falando sobre as movimentações em torno da sucessão de Eduardo Cunha na presidência da Câmara.

Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que essas manobras desautorizam qualquer cidadão com o mínimo de vergonha a ser fã de políticos. Podemos admirar alguns de uma distância segura, mas jamais um cidadão decente poderá declarar amores por quem quer que seja. Vejam o exemplo de Rodrigo Maia. Ele está conversando com o PT. E ninguém que não faça parte do mesmo plano criminoso de poder está autorizado a tratar com o PT o que quer que seja. Aquilo não é partido, é uma organização criminosa que conspira contra a democracia. O motivo por trás desses movimentos é uma tentativa de barrar o centrão apoiado por Eduardo Cunha, mas isso não justifica conversar com petistas. Caso o deputado Rodrigo Maia não saiba, Eduardo Cunha só chegou ao auge da influência política quando se tornou agente de Dilma Rousseff. Ele não deveria ajudar o PT a praticar vingança contra ex-comparsas. Sim, é perfeitamente possível barrar Cunha sem se aliar ao petismo. Rodrigo Maia deveria ter vergonha. Ou então vir à público desmentir que esteja conversando com esses seres andrajosos.
Mas aqui não se trata só de articulações parlamentares. Essas notas deixam em evidencia duas questões fundamentais: a falsidade da narrativa petista e o pseudojornalismo da Folha. Vamos aos fatos. O golpe teria sido fabricado capitaneado por Eduardo Cunha, com aval do PMDB, DEM, PSDB e PPS. Mas notem que o PT só vai apoiar Rodrigo Maia se o deputado conseguir o apoio dos partidos que publicamente são chamados pela esquerda lulopetista de “consórcio do golpe”. Outra contradição: o centrão de Eduardo Cunha e DEM, PPS e PSDB estão em lados opostos. Vale lembrar também que o parecer que pediu a condenação de Cunha no Conselho de Ética da Câmara foi elaborado pelo deputado Marcos Rogério, do DEM. Mais uma das contradições na tese do golpe.
O PT também diz que Dilma sofre um golpe de estado por vias parlamentares, de que a presidente não cometeu crime algum que justifique seu impedimento. O que se espera de quem zela pela democracia é que não mantenha nenhuma conversa ou comunhão com gente autoritária e golpista. Vale aqui a mesma regra aplicada ao deputado federal Rodrigo Maia. Sabe o ditado antigo de que quem se deita com porcos farelo come? O mesmo vale para quem participa de confabulações com golpistas. Será que o PT e Lula perderam o apreço pela democracia, se sujeitando a apoiar um dos mais ardorosos defensores de um impeachment ilegítimo de uma presidente eleita democraticamente? Não. O que há de fato é que o PT nunca teve apreço algum pela democracia, e que só inventou a tese do golpe para não dispersar a militância. Se até criminosos comuns se dizem vítimas da justiça quando apanhados, porque o PT não faria o mesmo? Apesar do Mensalão, Petrolão e estelionato eleitoral, a política segue. E eles seguirão conspirando, manipulando e mentindo enquanto não forem retirados da vida pública. Gritar golpe é só um modo de sobrevivência, o desespero de quem foi pego em flagrante, a explicação do adultero. É uma tese tão fajuta que nem mesmo os seus pregadores nela acreditam. É isso que nos leva a concluir que quem fala em golpe ou é ignorante ou é falsário. Isso deve ser particularmente terrível para gente como Elio Gaspari, Luís Fernando Verissimo e Tico Santa Cruz, obrigados a escolher se são burros ou estelionatários.
E a Folha hein? O título evidencia a fraude que é o jornalismo desse pasquim. “Lula dá aval para PT apoiar articulador do impeachment de Dilma à presidência da Câmara”. O título original não era esse, como fica claro pelo link original. Deve ter ficado constrangedor para o jornal do “Otavinho” noticiar que “Lula dá aval para PT apoiar Rodrigo Maria, deputado da tropa do impeachment de Dilma à presidência da Câmara”. Essa chamada inocente poderia expor a fraude da tese do golpe, apoiada pela Folha até o último momento. Depois de ter demonizado o impeachment com matérias caluniosas, depois de ter atacado movimentos sociais que trabalharam pelo impedimento, depois de ter descido ao esgoto para lançar suspeição sobre todos os deputados que votaram sim ao impeachment com declarações de uma garota de programa anônima, a Folha não poderia admitir que a tese do golpe era uma fraude retórica. Mandaram editar o título para não ficar tão na cara.
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O que fica evidente aqui é que não houve apenas um golpe, mas uma sucessão de golpes. Os golpes começaram quando a organização criminosa ganhou registro partidário, tendo a possibilidade de operar usando como fachada o nome oficial de Partido dos Trabalhadores. E no meio do caminho, houve outros golpes como os estelionatos eleitorais, o aparelhamento do estado e a cooptação de veículos de comunicação. A Folha que edita um título de matéria para não escancarar uma das muitas contradições do petismo é a mesma que só noticiou a delação de Marcelo Odebrecht denunciando Dilma dois dias depois. É o mesmo veículo que não ouviu Renan Calheiros admitindo para Sérgio Machado que Dilma era corrupta. É o mesmo veículo que emprega Vinicius Segalla, Gustavo Uribe, Bernardo Mello Franco e outras excrescências. É o jornal do Otavinho, que segundo a fala de Renan Calheiros em conversa com Sérgio Machado, aceitou colaborar com Dilma Rousseff. A Folha está para o jornalismo assim como o PT está para a política. São golpistas. Quem diria que a fantasiosa tese do golpe seria sepultada por duas simples notinhas…
"O Reacionário"
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